domingo, 16 de outubro de 2011


" Ela vem com seu destino incerto, impreciso. Ela vem com seu olhar tão vago, que é lacuna. Ela vem com uma coisa assim, que é tão assim, que não se explica. Aliás, do seu quarto morno e quente ao seu porão escuro e frio, nada se explica. Ela vem pelas ruas, nuas, cruas, suas. Ela vem vindo com o seu nome que transcende, acende. Ela vem mais maria que todas as marias. Com seu pecado santo. Ela vem louca, com sua calma agonia de mulher. ela vem como uma memória glória. Ela vem com seu santuário pornográfico, com seu prostíbulo de orações. Ela é uma igreja de pecados. Ela vem e enfim, passa por mim. E eu, pobre José, aceito-a doce a trair-me. A querer descobrir-lhe assim, numa única vida, sua alma. Ela vai. Eu sempre fico." - Janaína Azevedo

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