quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

" E o lento blues, um choque de dentes, unha rasgando as costas, uma mão meticulosa acompanhando devagar o desenho preciso dos pelos do ventre, um gemido baixinho, a carne do pescoço levimente ferida pelos dentes, roxo indisfarçável na manhã seguinte, óculos escuros, mas antes, bem antes, o peso quente do outro corpo, os cheiros guardados secretos sob as axilas, no vértice do queixo, curva da virilha, onde termina a pele lisa e começa os pentelhos, a um passo do poço fundo da orelha onde a língua se perde para descobrir gostos longínquos, desconhecidos, os dedos dos pés separados, intimidades, fronteiras, acariciando o outro pé, o pé do outro."- Caio Fernando Abreu

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