Aos meus grandes amores,
" Puta que pariu, poucas coisas me deixaram com tanto medo como a ideia de ano que vem não ter mais vocês. Caralho, que a gente não se perca. Que a gente possa sempre se encontrar, se abraçar e matar a saudade. Que a gente não olhe aquela foto do primeiro dia de aula e pense: Meu Deus, cadê esse povo? (isso foi o que mais me assustou). Que a gente não fique só na lembrança ou em algumas fotos perdidas no nosso quarto - que nós só vamos achar depois de fazer aquela arrumação no armário. Caralho, que a gente não se perca. Que depois de uns anos a gente possa (re)encontrar o outro num lugar e ir falar sem medo de não ser reconhecido, ou até com vergonha, fingir que não viu. Que a gente não passe batido na vida um do outro. Que tudo que a gente construiu não se acabe junto com o colégio. Caralho, que a gente não se perca. Que a gente ainda possa se reunir todo fim de ano, falar merda e lembrar como era bom aquele tempo, sem muita preocupação com o futuro, sem conta pra pagar, sem tanta responsabilidade. Que a gente ainda possa encontrar um no outro consolo que a gente tanto precisa às vezes. Que a gente não se esqueça de nomes, de manias, de jeitos, de sorrisos. Que a gente ainda possa se reencontrar como aqueles montes de guris do 1° ano. Que ainda venham muitas ressacas, muitas festas, muito choro e muita alegria. Caralho, por favor, Meu Deus, to implorando aqui, que a gente não se perca." - Amandda Figueiredo


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